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Diabetes e Família: uma importante relação
Porque será que é importante pensarmos nessa correlação? De que forma o diabetes pode interferir no sistema familiar e de que forma o sistema familiar pode afetar o bom controle glicêmico?
Como já sabemos o diabetes é uma doença crônica, isto é, que não tem cura o que faz com que o indivíduo tenha que aprender a conviver com ela. Isso significa na prática: visitas regulares ao médico, adoção de um plano alimentar adequado (reeducação alimentar), exercício físico, controle diário da glicemia e administração de remédios ou insulina.
Reorganização Necessária
Quando dentro de um sistema familiar um de seus membros fica diabético, não só o indivíduo mas todo o sistema terá que se reorganizar para assimilar esta nova informação e aprender a conviver com ela.
Assim como o indivíduo, a família também pode passar pelas fases de negação, revolta, depressão. No caso de uma criança ficar diabética, os pais podem passar por momentos de profunda culpa, achando que eles próprios ou o cônjuge são os responsáveis pelo diabetes do filho(a).
Em outros casos, pode haver um movimento de super proteção em torno da pessoa com diabetes, favorecendo ações compensatórias do tipo: “Eu não vou brigar com ele porque, coitado, ele é diabético!”. Estas atitudes, provenientes principalmente de pais e avós, podem gerar nos irmãos, por exemplo, sentimentos de raiva e, até mesmo, inveja.
Conflito de Sentimentos
Na visão da pessoa com diabetes os sentimentos em relação à família podem ir desde: “Porque logo comigo? Não conheço ninguém na minha família que é diabético, só eu”. Passando por: “Não sei o que seria de mim sem a minha família. Atualmente, lá em casa, todo mundo só come o que eu posso comer”. Chegando até a: “Eles não largam do meu pé, às vezes como escondido mesmo. Que se dane”.
Os conflitos familiares e as alianças que surgem a partir daí acabam por gerar desequilíbrios no sistema familiar. Por isso, nem sempre, é adequado só o atendimento psicoterápico da pessoa com diabetes, mas de toda família. O objetivo é mediar as negociações de mudanças impostas pelo surgimento do diabetes em um de seus membros.
Vale ressaltar que um apoio educativo no sentido de esclarecer, desmistificar e educar o paciente e sua família sobre o diabetes pode ajudar muito a amenizar todas estas situações familiares.
Dra. Lectícia Raposo
Psicóloga da Unidade de Educação em Diabetes
do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia
do Rio
de Janeiro
e psicoterapeuta de família